Uma pesquisa recente realizada pela Conquer Business School com 500 profissionais brasileiros revela um descompasso entre a idealização de projetos e a capacidade técnica de implementação de Inteligência Artificial (IA) nas empresas. De acordo com o levantamento, 9 em cada 10 (88%) dos entrevistados afirmaram já ter idealizado produtos, automações ou soluções com a tecnologia, mas esbarram na dificuldade de tirá-los do papel.

Embora a tecnologia já faça parte da rotina corporativa, o estudo aponta que a maioria ainda está em estágios iniciais de uso. 56,6% dos respondentes se definiriam como usuários de nível básico, recorrendo às ferramentas apenas para tarefas pontuais, como produção de textos, imagens e responder perguntas.

O estudo, realizado com profissionais maiores de 18 anos de todas as regiões do país e conectados à internet, possui um índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.

Perfis de uso e maturidade tecnológica

Apesar da disseminação das ferramentas, a utilização da IA no Brasil ainda está concentrada em funções elementares. O levantamento estratificou o nível de maturidade dos usuários da seguinte forma:

– Usuários de nível básico: 56,6% (utilizam para textos, imagens e respostas a dúvidas);
– Exploradores: 26,4% (testam novas ferramentas e automações simples);
– Construtores de soluções: 11,6% (criam soluções próprias e aplicações estruturadas).

Quanto ao tempo de adoção, 41% dos profissionais utilizam soluções como ChatGPT e Gemini há mais de um ano, enquanto 30,4% fazem uso dessas ferramentas entre seis meses e um ano.

Aplicações no ambiente corporativo

O uso de agentes de IA e ferramentas de automação em 2026 apresenta os seguintes dados de aplicação prática:

– Geração de conteúdo: 55,8%
– Análise de dados e relatórios: 47,2%
– Organização de tarefas e agendas: 40%
– Atendimento ao cliente (chatbots): 38,2%

A pesquisa identificou os principais fatores que impedem o avanço do uso básico para o estratégico. A falta de conhecimento técnico é o obstáculo predominante, citado por 41% dos respondentes. Em seguida, aparecem a dificuldade na escolha de ferramentas adequadas (32%) e a ausência de incentivo por parte das empresas (21,6%).

A percepção de risco ocupacional também é elevada: 80% dos profissionais acreditam que, nos próximos anos, aqueles que apenas utilizam a IA de forma passiva serão substituídos por perfis capazes de idealizar e modelar projetos com suporte tecnológico.

Fonte: Folha de Alphaville  

Foto: Bolívia Inteligente