O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Barueri recebeu, pela primeira vez, cerca de 53 axolotes, salamandras originárias do México. O grupo foi encaminhado ao município após uma determinação judicial e, posteriormente, destinado a um empreendimento de fauna autorizado para o manejo de animais silvestres.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Barueri, 46 exemplares eram adultos e aproximadamente sete estavam em estágio larval. A chegada inédita mobilizou a estrutura mantida pela Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente, responsável pelo Cetas no município.
O recebimento não ocorreu como atração turística ou exposição pública, mas dentro de um procedimento de destinação ambiental determinado pela Justiça. A atuação do centro está relacionada ao atendimento e ao encaminhamento adequado de animais silvestres que estejam em situação de risco, localização inadequada ou envolvidos em ocorrências ambientais.
O que são os axolotes
O axolote é uma salamandra aquática nativa do México e considerada uma espécie exótica no Brasil. Uma de suas principais características é permanecer em forma aquática durante toda a vida, conservando traços associados à fase larval, como as brânquias externas.
O animal também é conhecido por sua capacidade de regenerar partes do corpo. Apesar da popularidade em conteúdos de internet e do interesse como animal de criação, o axolote exige condições específicas de manejo, o que impede que seja tratado como um pet comum ou adquirido sem cuidados sobre origem, transporte e manutenção.
Informações sobre as características biológicas da espécie também são apresentadas pelo Jardim Zoológico de Brasília. No ambiente natural, o axolote enfrenta ameaças de conservação em sua área de origem, o que reforça a importância de evitar a compra impulsiva e o comércio sem controle.
Prefeitura alerta para compra irregular
A Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Barueri orienta os moradores a não comprarem animais sem origem regular, nota fiscal ou comprovação de que o vendedor tem autorização dos órgãos ambientais. A falta desses documentos pode indicar comércio ilegal e também aumentar os riscos de maus-tratos, transporte inadequado e morte dos animais.
Antes de adquirir um animal exótico, o consumidor deve verificar se o fornecedor está autorizado e se a documentação apresentada corresponde ao exemplar comercializado. A compra, a criação, o transporte e a importação de fauna silvestre estão sujeitos a regras específicas, que podem envolver procedimentos e autorizações ambientais.
O Ibama mantém orientações e procedimentos relacionados à importação e à exportação de fauna silvestre brasileira ou exótica no âmbito da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens em Perigo de Extinção, conhecida como Cites.
Como denunciar em Barueri
Além de verificar a procedência antes da compra, a população pode comunicar suspeitas de maus-tratos contra animais silvestres e outras infrações ambientais à Guarda Ambiental de Barueri. O telefone informado pela Prefeitura para denúncias é (11) 4199-1400.
O caso dos axolotes chama atenção justamente por reunir curiosidade sobre uma espécie pouco comum no Brasil e um alerta de interesse público para moradores de Barueri, Alphaville, Santana de Parnaíba e cidades vizinhas. A orientação central é evitar anúncios sem documentação e buscar informações oficiais antes de assumir a responsabilidade por um animal exótico.
Quando a origem não é comprovada, a aquisição pode alimentar redes de comércio irregular e colocar em risco tanto o bem-estar do animal quanto a conservação da espécie. A destinação dos exemplares recebidos pelo Cetas mostra a importância de estruturas especializadas e de procedimentos legais para o manejo da fauna.
Fonte: Diário de Alphaville
Foto: Divulgação